A Importância do Turismo de Eventos

O segmento do turismo de eventos tem ganhado cada vez mais peso dentro do setor turístico brasileiro. Uma pesquisa muito interessante, realizada em 2011 pela Fundação Getúlio Vargas, a pedido da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), revela que o gasto médio do turista estrangeiro de eventos no Brasil é de US$ 314,70, ou seja, quase o dobro do gasto médio dos turistas de negócios (US$ 165,14) e quatro vezes mais daqueles que vem ao país por motivo de lazer (US$ 73,53). Este estudo ainda aponta onde esses gastos são dispendidos: hospedagem (45,04%), alimentos e bebidas (13%), compras e presentes (11,95%), transporte (7,62%) e cultura/lazer (7,48%). Essa pesquisa mostra de forma contundente a importância do turismo de eventos para a economia brasileira e para aqueles destinos com capacidade de atrair eventos.

Por outro lado, o percentual de visitantes estrangeiros que o Brasil recebe por motivo de negócios, eventos e convenções é de 23,3%, o que corresponde à metade das viagens motivadas pelo lazer (46,1%). Mas, acredito que o “market-share” do segmento de turismo de eventos tende a aumentar a cada ano no Brasil, não só em função da Copa das Confederações (2013), da Copa do Mundo (2014) e dos Jogos Olímpicos (2016), mas também pelo trabalho que muitos destinos turísticos brasileiros têm feito na melhoria e na ampliação das estruturas e serviços voltados para atender o segmento de eventos, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Muitos são os benefícios proporcionados pelo turismo de eventos ao local onde ele acontece: (1) equilibra a sazonalidade; (2) gera maior rentabilidade, devido ao alto gasto médio do turista de eventos; (3) potencializa o destino a receber visitantes que talvez nunca viessem se não fosse pelo evento; e (4) gera mídia espontânea do destino.

Mas para que um destino possa captar congressos, convenções e eventos em geral, faz-se necessário a existência no local de determinadas estruturas físicas e de serviços, tais como: centro de convenções, estádios, meios de hospedagem em quantidade suficiente para atender aos participantes do evento, serviços de alimentos e bebidas, serviços de montagem de estandes, acessibilidade de transporte, seja rodoviário, aéreo, fluvial e/ou ferroviário, segurança e, principalmente, a existência de profissionais capacitados em toda a cadeia produtiva turística para o sucesso do evento.

Apesar dos já conhecidos problemas de Salvador, os soteropolitanos podem se orgulhar de terem a terceira capital brasileira em realização de eventos internacionais. Claro que isso é um marco de significativa importância para a nossa cidade, mas ainda há muito a ser melhorado na estrutura e nos serviços destinados ao turismo de eventos.

Os meios de hospedagem de Salvador ao perceberem o grande potencial do turismo de eventos, o qual pode agregar novas receitas ao hotel, não tardaram em investir em centro de convenções próprio, estruturas de apoio e serviços voltados para esse segmento. Pousadas de pequeno porte investiram numa ou duas salinhas para captar pequenos eventos, hotéis de médio porte construíram salões com capacidade média para até 200 pessoas, e os hotéis de maior porte instalaram grandes estruturas para congressos e convenções (salões modulares interconectados, áreas externas com tenda para a realização de shows e festas de empresas, etc.). Como a maioria dos eventos costumam ocorrer fora da alta temporada, a receita gerada por esses é muito benvinda no período de baixa, o que ajuda a compensar a queda natural do fluxo turístico de lazer. Pense nisso…