Qual a melhor opção para a compra do carro novo

A inegável avalanche de publicidade e facilidades comerciais para a compra ou troca do automóvel certamente motiva a grande maioria dos consumidores deste segmento a antecipar ou até mesmo cria o desejo até então latente, pela aquisição do carro novo.

Não é preciso frisar que nestes casos, provavelmente a compra não será concluída com decisões puramente racionais e, por consequência, é também muito provável que a decisão de compra não seja a mais adequada para a realidade do comprador.

Afinal, quais são as opções para a compra de um automóvel e qual escolha devo fazer a partir da minha necessidade? Atualmente, as três formas mais comuns e accessíveis ao grande público são o financiamento, o consórcio e a compra a vista (as duas primeiras para os que não conseguem o desembolso do valor total do bem).

Vamos entender cada uma destas opções.

O financiamento é o veículo de aquisição mais comum nos dias atuais e é fácil de entender o porque: os bancos e financeiras conseguem inserir nos contratos de financiamento juros extremamente rentáveis e com isso se beneficiam do alongamento da dívida (que até alguns meses atrás ia nos 72 meses de prazo – 6 longos anos de pagamento). Para o comprador, como não existe a possibilidade da compra a vista e a compra planejada (por consórcio ou não) ainda é pouco praticada em nossa população (movida pelo impulso consumista), resta a alternativa do financiamento, onde acaba aceitando esses juros e paga muitas vezes mais que o dobro do preço do veículo. Vale frisar a regularidade em que antes mesmo de acabar de pagar o financiamento, o comprador já está cliente de alguma oficina devido ao desgaste natural da máquina (que se acelera com as péssimas condições de estradas e ruas no Brasil).

O consórcio, por sua vez, é uma boa opção para quem tem parte do valor e consegue pagar a parcela. Em resumo, funcionamento do consórcio contempla as cartas de crédito para a aquisição do veículo por sorteio (pura sorte) ou pelo lance mensal. O comprador deve procurar um grupo que esteja contemplando a carta com o valor do seu lance e verificar se a parcela se encaixa no planejamento. Se positivo, ótimo, pois conseguirá reduzir os juros para próximos 1/5 do que pagaria num financiamento, se negativo, ele deverá avaliar a possibilidade de ir pagando as parcelas (num modelo de poupança sem juros forçada) com a esperança do sorteio ou guardar o seu capital em alguma aplicação de renda fixa até que consiga ser contemplado com o valor do lance (voltando a opção da contemplação por lance).

A compra a vista é uma modalidade que na grande maioria das vezes compensa o valor dos juros do financiamento e do consórcio. Vale destacar que é preciso “por na ponta do lápis” se a compra a vista será uma boa opção, avaliando principalmente o % do desembolso sob seu patrimônio, o custo de depreciação do seu capital versus as taxas cobradas nas outras modalidades. A depender do modelo de compra, a aquisição a vista pode não ser uma boa opção.

Para termos uma ideia prática desta última opção, vamos ver alguns números para a compra de um veículo de R$ 40 mil: desembolso de R$ 40 mil para um bem com desvalorização média de 10% ao ano. Após 3 anos, (tempo médio de recomendação dos especialistas para a troca do automóvel) o carro valerá em média R$28 mil e você deixará de ter ganho sobre o valor principal um juro de R$ 13.289 (numa renda fixa com remuneração de 0,80% ao mês).

Fica claro que a decisão deve ser tomada ponderando não apenas pelo valor dos juros ou pelo prazo do pagamento, muito menos o valor da parcela (que costuma ser o único parâmetro de avaliação da população – que não está acostumada a avaliar financeiramente as melhores opções para seus consumos), mas passa também pela desvalorização do bem e o custo do seu capital ao longo do tempo. Recomendo que antes de efetuar qualquer tipo de consumo que impacte seu patrimônio, busque uma reunião com seu assessor de investimentos e avalie ponto a ponto qual a melhor opção para as suas possibilidades e objetivos. Lembre-se sempre que o consumo consciente é um dever só seu e deve ser buscado em cada passo do seu planejamento financeiro. Atenção e boas compras!